Este é o nosso arquivo de autores: um espaço para conhecer as histórias, as ideias, as obras e as vozes de quem escreve os livros que nos reúnem. A cada novo encontro, um novo percurso será acrescentado.
Uma das vozes centrais do Modernismo brasileiro, Graciliano construiu uma prosa rigorosa, econômica e profundamente atenta às relações de poder.
Nascido em Quebrangulo, Alagoas, viveu em diferentes cidades do Nordeste, trabalhou no comércio e no jornalismo e foi prefeito de Palmeira dos Índios. A experiência política e a observação da vida social atravessam seus romances.
Em sua obra, a concisão não significa falta de profundidade. Com poucas palavras e grande precisão, o escritor revela conflitos interiores, desigualdades e formas de resistência de personagens submetidas a condições extremas.
Retratos do escritor
Entre livros e silêncios.
Graciliano Ramos entre livrosO escritor com um exemplar de Vidas Secas
Uma vida entre escrita e política
Linha do tempo
Marcos da trajetória pessoal, pública e literária de Graciliano Ramos.
Nasce em 27 de outubro, em Quebrangulo, Alagoas.
Muda-se para o Rio de Janeiro e trabalha como revisor em jornais; retorna a Alagoas no ano seguinte.
Assume a prefeitura de Palmeira dos Índios. Seus relatórios administrativos chamam atenção pela escrita direta e precisa.
Publica Caetés, seu romance de estreia.
Lança São Bernardo, narrado pelo fazendeiro Paulo Honório.
É preso sem processo durante o governo Vargas; no mesmo ano, publica Angústia.
Publica Vidas Secas, romance sobre uma família de retirantes no sertão.
Publica Infância, livro de memórias, e filia-se ao Partido Comunista Brasileiro.
Morre no Rio de Janeiro, em 20 de março. Memórias do Cárcere é publicado postumamente.
Como Graciliano escreve
Uma linguagem seca e precisa.
A economia verbal de sua prosa concentra a força das imagens, das personagens e da crítica social.
01
Concisão
Frases rigorosamente trabalhadas, sem ornamentos desnecessários.
02
Interioridade
A vida psicológica surge mesmo quando as personagens têm pouca voz.
03
Crítica social
Pobreza, poder e exploração aparecem integrados à experiência humana.
04
Universalidade
O sertão concreto revela conflitos que ultrapassam uma única região.
Caminhos de leitura
Obras essenciais
Uma seleção para percorrer diferentes momentos da escrita de Graciliano.
Nascida na Ucrânia e brasileira por escolha e formação, Clarice transformou a literatura ao aproximar a linguagem dos movimentos mais íntimos da consciência.
Ainda criança, chegou ao Brasil com a família, que fugia da violência e da perseguição no leste europeu. Cresceu em Recife e mais tarde se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde estudou Direito, trabalhou como jornalista e iniciou sua carreira literária.
Sua estreia, Perto do coração selvagem, revelou uma escritora singular. Ao longo de romances, contos, crônicas e livros infantis, Clarice investigou a identidade, o desejo, o silêncio e os instantes em que a vida cotidiana parece subitamente estranha.
Uma vida em movimento
Linha do tempo
Alguns acontecimentos que ajudam a compreender o percurso pessoal e literário de Clarice.
Nasce em 10 de dezembro, em Tchetchelnik, na atual Ucrânia.
Chega ao Brasil com a família. Depois de uma breve passagem por Maceió, cresce em Recife.
Muda-se para o Rio de Janeiro, onde estuda Direito e inicia sua trajetória no jornalismo.
Publica Perto do coração selvagem, romance de estreia que chama a atenção pela linguagem inovadora.
Lança Laços de família, coletânea de contos que se torna uma das obras centrais de sua carreira.
Publica A paixão segundo G.H., uma de suas experiências literárias mais radicais.
Água viva leva ainda mais longe sua escrita fragmentária, sensorial e difícil de classificar.
Publica A hora da estrela e concede sua célebre entrevista à TV Cultura. Morre em 9 de dezembro.
Como Clarice escreve
Uma literatura voltada para dentro.
Em vez de depender apenas de grandes acontecimentos, sua obra encontra intensidade na consciência das personagens e nos pequenos abalos do cotidiano.
01
Interioridade
Pensamentos, sensações e contradições importam tanto quanto a ação.
02
Epifania
Um gesto ou objeto comum pode provocar uma revelação inesperada.
03
Linguagem
A escrita experimenta ritmos, silêncios e limites do que pode ser dito.
04
Inquietação
Identidade, existência, desejo e relação com o outro permanecem em aberto.
Caminhos de leitura
Obras essenciais
Uma seleção para continuar a leitura de Clarice para além do nosso encontro.
Em fevereiro de 1977, poucos meses antes de morrer, Clarice concedeu ao jornalista Júlio Lerner, da TV Cultura, sua única entrevista audiovisual conhecida. Nela, fala sobre escrever, seus leitores e o então recém-concluído A hora da estrela.
Entrevista à TV Cultura · 1977 · registro em vídeo e áudio
Perto de Clarice · imagem de divulgação
Cinema e memória
Perto de Clarice
1982Documentário12 minDireção de João Carlos Horta
Construído depois da morte da escritora, o curta-metragem procura se aproximar de sua personalidade e de sua alma pelas lembranças de amigos, colegas e familiares. Esses depoimentos se alternam com trechos da rara entrevista que Clarice concedeu à televisão, formando um retrato íntimo que vai além da biografia convencional.
Produzido pela Embrafilme e por Gravações Tecnisom, o filme foi digitalizado em 4K a partir de materiais em 35 mm do acervo do Centro Técnico Audiovisual. Em 1983, recebeu o prêmio de melhor montagem no Festival de Gramado.